30 de outubro de 2020

Conscientização

No Dia Nacional de Luta contra o Reumatismo, Niedja Bezerra alerta para os cuidados e o tratamento da doença

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Niedja Bezerra

O reumatismo, um termo popular e genérico que designa um grupo de mais de 120 tipos de doenças diferentes em manifestações e formas de tratamento, pode acometer as articulações, ossos, tendões e músculos, além de algumas doenças do sistema imunológico.

Neste dia 30 de outubro, data em que se celebra o “Dia Nacional de Luta contra o Reumatismo”, a médica reumatologista e presidente da Sociedade Cearense de Reumatologia, Niedja Bezerra Frota, alerta para a importância do diagnóstico precoce e o impacto do tratamento adequado na qualidade de vida do paciente.

A entrevista a seguir foi publicada na edição número 20 da revista INSider, publicação do Portal IN. Confira:

Fala um pouco sobre sua atuação à frente da Sociedade Cearense de Reumatologia.

Objetivamos a representação e valorização da especialidade com divulgação da área de atuação, contribuição científica para atualização na área de conhecimentos médicos e, ainda, ações em políticas públicas. Ano passado, ajudei na organização do Congresso Brasileiro de Reumatologia que aconteceu em Fortaleza e, desde então, me interessei em contribuir para a entidade. Então, foi a convite do grupo de reumatologistas do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), do qual faço parte, que propôs a minha candidatura e fui eleita durante assembleia em setembro de 2019, para exercer a função de presidente, na atual gestão, durante o biênio 2019-2021.

Em que contexto surgiu o Dia Mundial da Conscientização na Luta Contra as Doenças Reumáticas?

É um dia alusivo ao esclarecimento da população quanto a realidade das doenças reumáticas e possibilidades de tratamento, evitando, assim, danos definitivos ao longo da vida.

As doenças reumáticas acometem mais de 12 milhões de brasileiros. E no Ceará, como estão esses números?

Não é diferente. Temos uma casuística percentual semelhante à do Brasil em suas mais diversas apresentações, inclusive, hoje, temos a maior associação de pacientes reumáticos cadastrados, através do Grupo de Apoio aos Pacientes Reumáticos do Ceará (Garce-CE), uma ONG que presta serviço a essa população e é referência nacional e internacionalmente. A Sociedade Cearense de Reumatologia (SCR) apoia e incentiva o Garce nas suas mais diversas ações, seja levando informações aos pacientes, seja somando forças em prol do bem comum.

Muitas pessoas associam doenças reumáticas apenas a pessoas da terceira idade. O que dizer sobre isso?

Isso é uma visão antiga e pouco clara sobre as mais diversas faces que o reumatismo, termo popularmente utilizado, pode ter. É necessário esclarecer que alguns tipos acometem, principalmente, jovens e crianças. O lúpus, a artrite idiopática juvenil, a osteoporose induzida por drogas, assim como as espondiloartrites ou as vasculites (Kawasaki, GNDA) são alguns exemplos disso.

Quais os principais fatores de risco para a ocorrência de doenças reumáticas?

Existem os fatores genéticos, ambientais, ocupacionais e, ainda, os incidentais como certas infecções que atuam como gatilho para o desenvolvimento da doença.

Quais os principais tipos de enfermidades reumáticas e quais os primeiros sintomas para detectá-las?

As principais são: Artrose, Osteoporose, Artrite Reumatoide, Lúpus, Fibromialgia, Espondiloartropatias e Gota. Dentre as mais raras encontramos as vasculites, esclerodermia e outras tantas doenças autoimunes. Como sintomas de alerta podemos ressaltar: inchaço nas juntas, rigidez matinal >1h, dor que perdure por mais de 3 meses, queda de cabelo intensa, febre baixa persistente, úlceras (feridas de difícil cicatrização) e fadiga (cansaço fácil).

Cerca de 1% da população brasileira sofre de artrite reumatoide. O que dizer sobre a doença?

É uma doença crônica, de caráter incapacitante e deformante, que pode acometer homens e mulheres. Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores as chances de controle e ausência de dano definitivo como: erosão articular, anquilose (enrijecimento ósseo) da articulação, perda da visão, fraturas ósseas, acometimento pulmonar, entre outros.

A causa do reumatismo ainda é desconhecida. Existem pesquisas médicas sendo realizadas no sentido de chegar a alguma resposta mais assertiva?

As causas seriam um somatório de fatores de risco (familiar) associado ao risco ambiental. Cada indivíduo é único e tem seu sistema imunológico organizado de forma particular. A mesma doença pode se manifestar de várias formas a depender do paciente. Existem muitas pesquisas, atualmente, tentando decifrar qual gatilho e qual molécula está mais alterada na rede de citocinas (substâncias inflamatórias) do sistema imune e, assim, estamos avançando rumo ao tratamento mais eficaz e específico.

A partir do momento que o paciente é diagnosticado com doença reumática, além de medicação e acompanhamento médico, que tipos de atividades podem ser feitas para amenizar o quadro?

As medicações estão cada vez mais eficazes e voltadas para a molécula específica que está desencadeando a inflamação. Ainda não há o mapeamento genético completo, mas já temos algumas sinalizações de como interceder em cada doente. Além disso, a prática de atividades físicas regulares, associado a uma boa rotina de vida (alimentação saudável, sono tranquilo e o não uso do cigarro) conseguem afastar uma boa parte das enfermidades. O ideal seriam exercícios com bom condicionamento cardiovascular, além de fortalecimento muscular.

Como você analisa as políticas públicas cearenses no que tange o cuidado com esses pacientes?

Estamos cada vez mais avançando nesse sentido. Demos um passo importante neste ano que foi a conclusão da Linha de Cuidados para pacientes reumáticos, incorporada pela SESA para ser um pilar na condução do paciente. Ademais, seguimos lutando pela democratização do tratamento e acesso ao serviço de saúde. Foi também neste ano que demos entrada a um projeto de lei no Senado Federal em atenção ao paciente reumático do N-NE. Além disso, atualizamos alguns protocolos e pleiteamos a incorporação de novas possibilidades terapêuticas a serem disponibilizadas.

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