29 de julho de 2020

SOLIDARIEDADE

Instituto Beatriz e Lauro Fiuza arrecada mais de R$ 100 mil em Noite Solidária

Lauro, Bia E Beatriz Fiuza

Lauro, Bia e Beatriz Fiuza. Foto: Arquivo Portal IN – Connection

Trilhar perspectivas para que famílias tenham a oportunidade de conquistar uma vida equilibrada, sadia e com condições dignas, em que a educação seja o elemento principal. É com esse objetivo que, desde agosto de 2012, o Instituto Beatriz e Lauro Fiuza atua na capital cearense. Olhar para o próximo com carinho, respeito e, principalmente, vontade de fazer diferença no dia a dia são elementos que estão no DNA do Instituto. “Essa iniciativa foi motivada por querermos fazer algo para ajudar a melhorar a situação das pessoas mais pobres da nossa cidade. Buscamos sempre atuar em bairros com baixo IDH, que têm altos índices de vulnerabilidade social”, afirma Bia Fiuza, Diretora Institucional.

O início

 

Bia Fiuza (2)

Bia Fiuza 

A organização sem fins lucrativos leva o nome dos pais de Bia, sempre muito atuantes nas questões sociais no Estado. Todos da família sempre foram muito ligados à arte. Dessa forma, no início, a atuação foi com aulas de educação musical. Paralelamente, porém, surgiu a oportunidade de integrar o karatê. De acordo com Bia, na época, conheceram um projeto que já existia, há dois anos, no Jardim União II.

“Vimos que, naquela comunidade, nosso trabalho faria a diferença e resolvemos ir para dentro de um espaço que conhecemos lá, que passou a ser a nossa sede. Abraçamos o projeto de karatê como parte do Instituto e criamos um projeto de educação musical”, recorda.

O que começou com 60 alunos em uma só sede, no bairro Passaré, atende, atualmente, 630 alunos, de 4 a 29 anos, no Jardim União II e na Casa José de Alencar, em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC).

Música e Karatê

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IBLF

Conforme Bia, as duas ferramentas parecem ser muito diferentes, mas trabalham princípios muito semelhantes, tais como: respeito, disciplina, capacidade dos alunos de lidarem com frustrações e de entenderem o seu espaço. Além disso, faz com que os jovens percebam os seus limites e, também, os limites do outro. “Pelo fato de uma ser expressão artística e outra ser expressão esportiva, ambas são fundamentais para a formação de todos os indivíduos”, pontua.

A inserção dos pequenos começa com a iniciação musical e os princípios de musicalização. No karatê, inicia com os elementos básicos, trabalhando a ludicidade, a psicomotricidade e o desenvolvimento dos movimentos. Dentro dos programas, existe uma progressão de nível técnico e de aperfeiçoamento, e isso vai seguindo as faixas etárias, até o limite dos 29 anos de idade. “Temos uma equipe de referência de karatê que participa de campeonatos mundiais, temos uma orquestra de cordas, um coral e pianistas também. Alguns já são jovens que entram na universidade e seguem conosco”, orgulha-se Bia.

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IBLF

O Instituto durante a pandemia
Logo que a pandemia da Covid-19 chegou ao Estado, o Instituto decidiu suspender todas as aulas presenciais como forma de proteger alunos e equipe. A expertise dos profissionais, entretanto, não prejudicou os atendimentos, visto que as ferramentas digitais passaram a ser aliadas desse período.

“Hoje, todas as aulas seguem acontecendo de forma on-line, usando os aplicativos que estão a nossa disposição”, afirma a Diretora. Nesse atual cenário, um dos braços do Instituto, o Programa Envolver, passou a ter atuação fundamental. A equipe multidisciplinar, formada por assistentes sociais, psicólogos e pedagogos, sempre acompanhou as famílias atendidas muito de perto. “Essa equipe tem feito um trabalho muito forte de ligar para as famílias, de saber como está a situação de saúde, a questão emocional, a estrutura das casas e passar, também, orientações de saúde nessa época de vírus. Durante a pandemia, intensificamos esse acompanhamento”, explica Bia.

E foi com esse acompanhamento que o Instituto pode constatar que a grande maioria das famílias atendidas têm sua renda no trabalho autônomo ou informal, e, mais grave ainda, elas não possuem nenhuma reserva financeira. Nesse momento então, o Instituto decidiu abraçar uma ação emergencial de distribuição de alimentos e kits de limpeza e higiene pessoal. “Fizemos algumas distribuições em março e, em abril, ampliamos.

Em maio, junho e julho conseguimos atender todas as famílias do Instituto com essas distribuições, com cestas bem robustas, suficientes para suprir a demanda da família durante todo o mês. E agora, em agosto, conseguiremos continuar com as doações graças aos resultados da campanha que culminou na Noite Solidária”, reforça a Diretora.

Noite Solidária

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Levy Castelo Branco, Roberta Fiúza e Paulo Rodrigo

Em seu terceiro ano consecutivo, a Noite Solidária é um evento realizado para arrecadar recursos para a manutenção das atividades do Instituto. Todos os anos, a ação acontecia presencialmente. Este ano, porém, por conta da Covid-19, a iniciativa, que ocorreu dia 30 de junho, passou por algumas reformulações, sendo transmitida para o público de forma virtual, com convidados participando de suas casas.

O evento deste ano contou com apresentação dos alunos do Instituto, além do som de artistas como: Nayra Costa, Maria Flor, Lídia Maria, Levi Castelo Branco, Paulo Benevides, Roberta Fiuza e Paulo Rodrigo. “A Noite Solidária on-line surgiu, primeiro, como uma solução para não deixarmos de realizá-la, e, segundo, como uma estratégia para ajudar as famílias nesse momento delicado. Foi tudo muito novo. Conseguimos juntar muitos parceiros, pessoas que entraram de corpo e alma no projeto. Ao longo do mês de junho, período que trabalhamos a campanha “Nós”, para culminar com a Noite Solidária no dia 30, conseguimos levantar 101 mil reais”, revela Bia Fiuza.

Planos futuros

Elcio Batista, Bia Fiuza E Mardonio Barros

Élcio Batista, Bia Fiuza e Mardônio Barros

A Diretora Institucional nos adianta que um dos maiores sonhos é o de construir uma sede própria. “Temos a promessa de um terreno, que esperamos muito que dê certo. Mas a construção da sede é um caminho muito longo, algo para daqui a alguns anos, imagino”, diz.

Segundo ela, no momento, o maior ideal é o fortalecimento dos programas, sempre focando na melhoria da metodologia, nos resultados que possam ser alcançados pelos alunos e na mudança de horizonte dos alunos que já são atendidos hoje e dos que estão entrando pequenininhos. Outro grande anseio é o da retomada das atividades presenciais.

“Provavelmente, iremos implantar o ensino híbrido, misturando o presencial e o on-line. 2020 será focado nas soluções para que possamos seguir com o trabalho”, conta.

Por fim, ela nos fala sobre dois outros importantes objetivos: “Temos o sonho de ter uma orquestra filarmônica completa, que seja referência para os outros jovens do Ceará que queiram seguir esse caminho. Queremos, ainda, manter e expandir nossa equipe de atletas do karatê, que já são referência nos bairros onde moram. Ou seja, queremos ver a juventude brilhar e ter orgulho de si”.

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