30 de junho de 2020

A Arte Salva

Artistas cearenses contam como a arte tem sido escape durante a quarentena

Artistas

Vando Figueiredo, Totonho Laprovitera e José Guedes

Em tempos de isolamento social, a arte nunca foi tão necessária e utilizada para aliviar o estresse vivido por todos. Entre pincéis, telas, lápis e cores, a quarentena se tornou mais criativa e, como consequência, a produção artística ganhou um belo impulso.

Para o artista plástico Totonho Laprovitera, além da vertente profissional, a arte tem um poder de cura. “Viver de arte é viver a arte. Com serenidade, sempre usei o tempo na medida certa para a realização de meus desejos. Assim, a minha produção atual se apresenta bastante intensa diante das reflexões de consciência coletiva que se apresentam”, revela.

Oyyo

Processo criativo de Totonho

Perguntado se a arte tem sido uma verdadeira válvula de escape diante do atual cenário, Totonho revela que, na verdade, ela é essencial em qualquer período da vida. “Sou muito grato à Arte, que sempre foi muito generosa comigo. Além de dar sentido à vida, ela nos faz enxergar valores preciosos para quem mais do que existir, pretende viver”, relata.

Enquanto cumpre a quarentena, o artista tem aproveitado para pintar a realidade à sua maneira. “Eu misturo a vida com a arte o tempo todo. Então, sempre estou a cometer alguma série. Atualmente, tenho seguido a expressão de sentimentos que desenhos e pinturas me determinam. Exercício da gente virar singular sendo plural”, conclui.

Produção Criativa

Também inspirado pelo isolamento, outro veterano das artes plásticas cearenses, José Guedes, afirma que tem pintado bem mais do que antes. “Estou há 100 dias isolado entre Fortaleza e Flexeiras. Neste período, pesquisei e produzi como nunca”, revela.

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José Guedes – Calvário

Guedes, inclusive, aproveitou o momento para explorar as novas tendências ao lançar a vertente digital de sua galeria de arte. A Casa D’alva Virtual teve start com a exposição autoral Calvário, no mês de maio, composta por 22 obras criadas durante a quarentena.

“O mercado está se adaptando aos novos tempos. As vendas via internet estão aumentando cada vez mais. Claro que nada vai substituir as galerias, espaços físicos, mas a quarentena mostrou que esse mercado é real. Quem me acompanha pelas redes sociais tem visto muitas obras novas. Estou lançando inclusive uma nova seria chamada “Homenagem ao Quadrado”, baseado na obra do artista Josef Albers”, conta Guedes.

Advento de novas tecnologias

Já para o desenhista, pintor, gravurista e escultor Vando Figueiredo – que considera quase impossível passar um grande período sem se comunicar através de suas produções e criações – o início da quarentena foi o momento mais difícil, já que precisou ficar recluso em casa, seguindo as orientações dos orgãos de saúde, sem os materiais de pintura, que ficaram em seu atelier.

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Autorretrato de Vando Figueiredo

“Tive que recorrer para o auxílio do uso das ferramentas digitais e, com isso, fiz vários trabalhos utilizado meu IPad. Registrei memórias das paisagens de lugares por mim vividos durante viagens a países como Polônia e Itália, o que me rendeu uma boa produção de obras que oportunamente irei mostrar ao público”, explica o artista.

Na Semana Santa, Vando deu start a um de seus primeiros trabalhos com a pintura digital, criando uma série sacra para homenagear a quaresma. O artista, no entanto, teve novamente que passar um período longe da produção artística ao se internar após ser diagnosticado com Covid-19. Agora, recuperado, ele está retomando aos poucos as criações em casa.

“Aos poucos e cautelosamente estou retomando minhas atividades de trabalho, pois havia deixado alguns trabalhos e encomendas inconclusos. Também, por prévio agendamento, já estou recebendo meus clientes”, afirma. Confira abaixo um pouco da produção do artista na quarentena.

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