COMBATE À PANDEMIA

Pesquisa da Fecomércio-CE revela que 56,6% das pessoas são contra lockdown

Por Marcelo - Em 1 de abril de 2021

A pesquisa realizada pelo Sistema Fecomércio Ceará, por meio do IPDC, com relação ao lockdown imposto em todo o território cearense para reduzir a disseminação do novo coronavírus, revelou que 56,6% da população  – nos seus mais variados segmentos – se mostrou contrária à medida. Outros 38,6% foram a favor, 2,6% se mostraram indiferentes e 2,3% não souberam responder. Além disso 60,9% afirmaram que estão saindo de casa para trabalhar ou realizar outras atividades.

Quando a pesquisa foi realizada apenas com o universo dos empresários 71,4% se mostraram contrários, 25,2% são a favor, enquanto 1,7% indiferentes ou não souberam opinar ,em cada uma dessas situações. Já entre o trabalhador formal 40,6% são contra o lockdown, 54,0% a favor, 2,6% indiferentes e 2,8% não souberam responder.

Maurício Filizola mostrou que população desaprova o lockdown                      Foto: Divulgação

“Essas duas últimas situações mostram que os empresários estão preocupados com estas paralisações de suas atividades, pois precisam pagar salários e outras obrigações, enquanto os empregados estão numa situação confortável, pois estão com suas carteiras assinadas e recebendo. Mas é bom lembrar que essas restrições à abertura dos estabelecimento pode trazer sérias consequências, inclusive o fechamento de postos de trabalho”, explicou o presidente da Fecomércio-CE, Maurício Filizola.

Entre os trabalhadores informais 67,4% são contra o isolamento rígido, 27,5% a favor, 4,5% indiferentes e 0,6% não responderam. Já entre os desempregados houve um grande equilíbrio com 44,1% se mostrando contrários à medida e 43,1% com posicionamento favorável. O percentual de indeferença ficou em 5,9% e 6,9% não responderam.

Na opinião de 74,1% dos respondentes, outro número expressivo, flexibilizar o isolamento, abrindo as empresas como medida de estimular a economia e evitar o desemprego. Já entre os empresários este resultado subiu para 85,05%, pois eles são responsáveis por manter os seus negócios e os empregos, além de outras obrigações, inclusive com o próprio Governo. Entre o trabalhador formal, 64,95% dos respondentes se mostraram a favor de flexibilizar a retomada da atividade econômica. Já entre o trabalhador informal 80,34% são favoráveis à flexibilização e entre os desempregados 61,76%.

“Todos esses resultados demonstraram que há um posicionamento favorável à reabertura do comércio e das empresas, com o objetivo de garantir a continuidade das atividades, a manutenção dos empregos e, até mesmo, permitir a expansão e abertura de novos negócios. E entre os informais e desempregados, isso é uma questão de subsistência”, lembrou Filizola.

Vendas da Páscoa, este ano, devem ter uma retração de 2,2%, segundo a CNC 

Em nível nacional, um estudo da CNC revelou que o Índice de Confiança do Empresário do Comércio manteve tendência de queda no mês passado, com uma retração de 1,5%, principalmente porque a percepção é desfavorável para a atividade comercial neste primeiro trimestre.

Ainda segundo a CNC, o volume de vendas do varejo nesta Páscoa deverá registrar uma queda de 2,2% e que o faturamento no período ficará em torno de R$ 1,62 bilhão, praticamente o mesmo volume de 2009, revelando que as ações mais restritivas têm prejudicado, e muito, todo o comércio varejista brasileiro.

“As nossas responsabilidades, obedecendo os protocolos determinados pelas autoridades têm sido cumpridas, tanto com relação aos nossos clientes, colaboradores e fornecedores. Por isso, encaminhamos uma proposta de reabertura das empresas a partir do próximo dia 5. Essa é a nossa responsabilidade como entidade representante do setor de comércio, bens, serviços e turismo no Estado do Ceará. Além disso, é preciso massificar a vacinação em todo o Estado”, disse o presidente da Fecomércio-CE.

“Sabemos que o Governo tem realizado algumas medidas no sentido de colaborar com o setor produtivo, mas precisamos ter os nossos estabelecimentos abertos, pois é com o nosso trabalho que conseguimos honrar todos os nossos compromissos. Além disso, o e-commerce ainda não representa um volume grande de vendas, especialmente para os micro e pequenos comerciantes, não possibilitando sustentabilidade para as empresas, trazendo inúmeros prejuízos”, destacou.

Comércio fechado representa uma situação constrangedora para o setor

“O que nos honra como comerciantes é o ter na veia o negociar, o se conectar. Quando isso é tirado da nossa gente, causa um impacto muito grande, inclusive psicológico, pois queremos estar com nossos comércios abertos. Não queremos esmolas, interferência naquilo que é a essência do comércio, queremos trabalhar. Infelizmente, temos sido colocados numa situação que muito nos constrange”, afirmou o dirigente.

Ele lembrou, ainda, que o diálogo tem sido realizado, embora ele como presidente da Fecomércio-CE, precisa representar a voz do empresariado cearense, que é de continuar trabalhando, criando oportunidades de emprego para a população. E que apesar de participar do comitê de enfrentamento à pandemia, muitas vezes as reivindicações apresentadas não terem sido atendidas.

“A nossa proposta é que seja contemplado uma diminuição do IPTU para as atividades que tiveram as suas atividades paralisadas por conta dos decretos de isolamento social estadual e municipal que foram instituídos. Afinal, cada dia fechado representa um impacto significativo nas empresas, pois cada uma está num estágio diferente de sua atuação. E esperamos que a retomada das atividades comece a ser flexibilizada no próximo dia 5”, completou Maurício Filizola.

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