14 de agosto de 2020

Transporte de Cargas e Logística

Para driblar a crise, Clóvis Bezerra afirma que o momento é de reinvenção

De acordo com levantamento realizado, desde o início da pandemia, pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, 93% das empresas de transporte perderam faturamento nesse atual cenário. Para se ter ideia, cinco semanas após o início das medidas de isolamento social, a demanda por cargas despencou 45% em abril, continuando acima de 40% no mês de maio.

Clóvis Bezerra

Com o passar dos meses e a retomada da economia, a queda foi reduzida e, atualmente, está na casa dos 24,8%. Com esses números, o setor de transportes deverá ter um dos piores desempenhos de sua história, com o Produto Interno Bruto (PIB) sofrendo uma retração de 7%.

“O pico da perda ocorreu na terceira semana de abril. Quando comparada ao ano passado, a perda no setor foi de 44,8%. Para o mês de agosto, esperamos uma melhora nessa perspectiva”, revela Clóvis Nogueira Bezerra, presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado do Ceará (Setcarce) e da Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Nordeste (Fetranslog).

Setor durante a pandemia e mecanismos adotados
Vários profissionais foram demitidos por conta da crise na economia. Conforme Clóvis, entretanto, no segmento de transportes as demissões não foram significativas, uma vez que foram adotadas medidas asseguradas pelo regime governamental, tais como: redução da jornada de trabalho, suspensão de contratos de trabalho e férias antecipadas. Outra solução também adotada por muitas empresas foi a recuperação judicial. Ou seja, como forma de evitar a falência, os compromissos com credores foram temporariamente suspensos até que haja a recuperação financeira. Uma das particularidades do setor de transporte e logística é o fato de que, por ser transversal, precisa aguardar a recuperação de outros setores da economia para, só então, se reestabelecer completamente. Nesse período de Covid-19, mudanças e adaptações foram algumas das ações adotadas pelas empresas.

“Como principais medidas, posso citar a reorganização administrativa das empresas e a rápida adaptação ao e-commerce. Sem a atualização da tecnologia essas empresas não acompanhariam a dinâmica do mercado”, aponta. Para se ter noção do quão fundamental vem sendo o on-line, pesquisas recentes apontam que as vendas globais no e-commerce, quando comparadas a junho do ano passado, cresceram 28% em junho de 2020, tornando-se o maior aumento nas vendas ano a ano desde que as restrições relacionadas a pandemia começaram em março.

Retomada do segmento de transportes

Transporte de carga

A retomada do segmento de transportes vem ocorrendo de forma gradual, assim como praticamente todas as áreas da economia. O Presidente do Setcarce e da Fetranslog explica que esse é o momento ideal para capacitar e qualificar colaboradores, bem como promover uma completa atualização dos sistemas, afinal, esse novo cenário pedirá novas adaptações e a reinvenção será imprescindível. Disponibilização de linhas de crédito com carência estendida e taxas de juros reduzidas são alguns dos mecanismos utilizados pelos empresários hoje.

“Apesar das linhas de crédito existentes, o dinheiro não chega, as empresas não estão conseguindo ter acesso a este crédito. Houve grande reajuste nos insumos incidentes, como: combustíveis, pneus e caminhões”, afirma Clóvis. Com essa dificuldade de acesso ao crédito, muitos negócios estão recorrendo a linhas com os juros mais altos do mercado, como cartão de crédito. “Apesar de os desafios serem enormes, estou extremamente confiante e otimista para os próximos meses. Nesse sentido, o Sindicato e a Federação serão essenciais para fortalecer as relações institucionais, favorecer o aperfeiçoamento técnico, atualizar e apoiar as empresas nesse momento econômico pós-pandemia. Ou seja, nosso intuito é fortalecer o setor”, diz Clóvis Bezerra.

Alerta

Clóvis Nogueira alerta ainda para a possibilidade de desabastecimento de combustíveis na base de distribuição da Petrobras no Crato. É que, segundo ele, veículos bi trem e rodotrem, que transportam até 50 toneladas, não estão recebendo a AET(Autorização Especial de Trânsito) do governo do Estado para trafegar em rodovias estaduais. O motivo seria porque as estradas não suportam essa carga.

 

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