DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Novo plano de logística quer alavancar intermodalidade no setor de transportes

Por Marcelo - Em 11 de julho de 2021

Um plano federal que promete, a longo prazo, estruturar e proporcionar o desenvolvimento sustentável e econômico de toda a área de infraestrutura de transportes brasileira. Esse é o objetivo principal do Plano Nacional de Logística 2035 (PNL 2035), que pretende alavancar o setor pelos próximos 15 anos, traçando uma visão estratégica da rede de transportes no futuro e garantindo as condições necessárias para o ideal escoamento da produção do País.

Um ponto que chama a atenção no documento é a expectativa de que o setor cresça, durante o período de vigência do PNL 2035, entre 42% e 71%, a partir de fatores como o incremento do volume de cargas nacional e da implementação de um modelo de transporte melhor equilibrado entre os diferentes modais do País, algo que é considerado essencial para o real desenvolvimento do segmento no Brasil. É o que acredita o presidente da Associação Brasileira de Logística (Abralog), Pedro Moreira.

Intermodalidade deve ser ampliada para impulsionar o setor de transportes nacional até 2035                            Foto: Divulgação

Para ele, com um PNL bem fundamentado, o setor pode alcançar a tão sonhada intermodalidade que há tempos é discutida no Brasil. “Pelo tamanho do país, é impossível criarmos uma logística realmente eficiente sem a intermodalidade, não tem outro jeito. Entendam, o modal rodoviário não vai deixar de existir, pelo contrário, ele vai ganhar mais eficiência, produtividade e redução de custos. Os caminhões não foram feitos para rodarem 4 ou 5 mil quilômetros, isso é um fato. Essa preocupação, que existe por parte do setor, essa resistência em explorar outros modais, não faz sentido. Uma intermodalidade só traz benefícios para todos”, diz.

Outro benefício deste novo documento, segundo o Ministério da Infraestrutura, é a contribuição para uma maior captação de investimentos ao setor. De acordo com o órgão federal, a perspectiva é que o PNL colabore diretamente para a atração de, aproximadamente, R$ 480 bilhões até 2035, entre aportes públicos e privados.”É possível atingir essa meta sim, há espaço no mercado e muitos investidores interessados, inclusive internacionais, mas o que nos preocupa é a instabilidade do País. Ninguém vai colocar esse montante em um mercado que não tenha continuidade, que não passe confiança, estabilidade, solidez, segurança jurídica, entre outros pontos cruciais para qualquer investidor”, ressaltou Moreira.

Segundo Moreira, o mais importante é que o PNL 2035 torne-se um plano de Estado e não de Governo, pois com ele será possível superar também desafios que permeiam o setor, como as questões fiscal e tributária do País. Para ele, um plano dessa magnitude é uma iniciativa que pode, de fato, estabelecer um ambiente regulatório mais ajustado ao que se espera. “No Brasil, temos uma grande adversidade, que chamamos de logística tributária, pois um produto circula por vários estados e regiões do país e enfrenta diferentes legislações e custos. Então, um planejamento com normas mais adequadas, sem dúvida, colabora muito para o avanço do setor neste aspecto”, afirmou Pedro Moreira.

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