6 de maio de 2020

TRATAMENTO

Força-tarefa desenvolve capacete de ventilação assistida no Senai Ceará

Um trabalho em conjunto envolvendo equipes da FIEC, Governo do Ceará, UFC e Unifor proporcionou a criação do protótipo de um capacete de respiração assistida, batizado de Elmo, que será submetido a testes de usabilidade, antes de entrar na fase de ensaio clínico.

Participaram de seu desenvolvimento equipes do Senai Ceará, Sesa, ESP-CE, Funcap, além das duas universidades. O protótipo do Elmo foi desenvolvido no Instituto Senai de Tecnologia em Eletrometalmecânica, e testado no Laboratório do Senai do Jacarecanga, a partir da ideia apresentada pelo superintendente da ESP-CE, Marcelo Alcântara.

Capacete de respiração assistida entrará em testes clínicos                          Foto: Divulgação 

“Os princípios e requisitos terapêuticos do Elmo foram plenamente atingidos com o protótipo”, avalia Alcântara, após a consolidação do modelo, que passou por ajustes simples para redução de tamanho e contenção de ruído. A partir de agora, o Elmo será submetido a testes finais de usabilidade em voluntários, que devem ser finalizados nas próximas semanas.

A avaliação a partir do manuseio pode resultar em pequenos ajustes, se reportado por usuários em testes, mas o conceito do protótipo foi concluído. “Diferentes pessoas vão testar o Elmo para avaliar a ergonomia, mas é certo que se utilizado hoje, o equipamento cumpriria com a finalidade de dar suporte ventilatório necessário”, destacou o engenheiro eletricista, especialista em engenharia clínica, David Guaribara.

Em seguida, o modelo cearense será avaliado pela Comissão de Ética e Pesquisa da ESP-CE para entrar em ensaio clínico, isto é, teste em pacientes com insuficiência respiratória pelo coronavírua, no Hospital Leonardo da Vinci, requisitado pelo Governo do Ceará para dar suporte aos pacientes no Estado.

Ricardo Cavalcante comemorou o desenvolvimento do Elmo

Para o presidente da FIEC, Ricardo Cavalcante, as avaliações positivas são animadoras: “Estamos confiantes que haverá uma produção em larga escala após a finalização das avaliações de saúde do comitê de ética da ESP, para que possamos ajudar ainda mais no combate à pandemia. A inteligência e a capacidade técnica dos que fazem o SENAI e dos parceiros foram imprescindíveis na busca por este equipamento que pode vir a salvar muitas vidas”, afirmou.

Os pesquisadores envolvidos já estavam animados com os testes iniciais realizados em 23 de abril. O Elmo prevê a utilização de um mecanismo de respiração artificial não invasivo, sem necessidade de o paciente ser entubado, com maior segurança também para os profissionais de saúde.

O Elmo é a promessa para desafogar as UTIs, que já estão saturadas de pacientes com Covid-19. Outra vantagem é o baixo custo, que garante facilidade de produção em larga escala. Enquanto uma máquina de ventilação mecânica custa em média R$ 70 mil, o capacete respirador sai por cerca de R$ 300,00 a unidade.

O modelo segue um tipo adotado em países da Europa, como a Itália, onde teve bons resultados, com redução da necessidade de aparelhos de ventilação mecânica em cerca de 60%. O equipamento pode ainda ser desinfectado e reutilizado por outros pacientes.

O capacete é capaz de reduzir a necessidade de respiradores pulmonares artificiais pois trata-se de uma oxigenoterapia do paciente que inala oxigênio puro e não reinala o CO² produzido, que tampouco é expelido no ambiente, evitando a contaminação de outras pessoas.

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