3 de maio de 2021

EXPANSÃO CONTÍNUA

Concessões de crédito chegam a R$ 4,5 trilhões no primeiro ano da pandemia

A concessão de crédito pelos bancos no primeiro ano da pandemia da Covid-19 apresentou volumes e índices históricos. Entre março de 2020 e deste ano, dados do Banco Central revelam que o sistema financeiro concedeu um total de R$ 4,5 trilhões em recursos para a economia, apresentando um volume médio de R$ 347,3 bilhões por mês – 6,3% superior ao volume médio concedido em 2019, ano sem crise.

Ao mesmo tempo, em março passado, o estoque de crédito bancário atingiu seu maior patamar já registrado, alcançando R$ 4,1 trilhões – uma expansão de 17,8% em relação ao estoque registrado em fevereiro de 2020 (R$ 3,5 trilhões), mês que antecedeu a crise sanitária. Com o forte avanço, a relação crédito/PIB passou de 46,7% (em fevereiro de 2020) para 54,4% (em março deste ano), também atingindo volume inédito.

Informações do Banco Central revelaram o alto volume de créditos                  Foto: Divulgação

“Mesmo em um período de intensa crise econômica decorrente da pandemia, o crédito mostrou uma expansão robusta e disseminada entre diversos segmentos, reforçando o importante papel que desempenhou para evitar uma recessão mais aguda em 2020, além de ajudar atualmente no processo de recuperação”, disse Isaac Sidney, presidente da Febraban. “O crédito bancário mostrou uma dinâmica muito positiva, não só com crescimento do estoque e elevado volume de concessões, mas também taxas de juros mais baixas e inadimplência saudável.

Esse crescimento do saldo das operações de crédito bancário decorreu do elevado volume de concessões que o sistema financeiro tem aportado na economia e também das medidas emergenciais adotadas pelo Ministério da Economia e BC em 2020, que criaram as condições para que o canal de crédito continuasse funcionando de maneira eficaz durante a pandemia.

“Ao contrário de outras crises, quando houve um recuo expressivo nas concessões, desta vez, mesmo com o forte aumento do risco nas operações de crédito e o momento extremamente desafiador e adverso, os bancos tiveram uma atuação fortemente proativa”, reforçou o presidente da Febraban, para quem “o setor bancário, que nunca faltou ao país, segue desempenhando um papel fundamental, irrigando a economia e mitigando os impactos negativos da crise”.

De 16 de março a 31 de dezembro de 2020, o setor bancário renegociou cerca de 17 milhões de contratos com operações em dia, com um saldo devedor total de R$ 1 trilhão, enquanto a soma das parcelas suspensas dessas operações repactuadas totalizou quase R$ 150 bilhões, segundo o BC. Esses valores trouxeram alívio financeiro imediato para empresas e consumidores, que passaram a ter uma carência entre 60 a 180 dias para pagar suas prestações, sendo que a maioria dos agentes beneficiados com prorrogação de parcelas foi representada por pequenas empresas e pessoas físicas (ao redor de R$ 80 bilhões).

Mais recentemente, em março deste ano, dada a importância e êxito da medida, somada ao agravamento da pandemia, os bancos se juntaram ao Governo Federal para ampliar ainda mais o prazo de carência das linhas emergenciais, estendendo-o para até 90 dias. Para as micro e pequenas empresas, o setor bancário fez concessões de crédito de R$ 325,2 bilhões, incluindo novos contratos e renovações.

No período, o setor renegociou 1,75 milhão de contratos de micro e pequenas empresas, no valor total de R$ 105,1 bilhões, com carência entre 60 e 180 dias para o pagamento, com alívio no pagamento de parcelas de R$ 17,4 bilhões. Esta postergação permitiu que as empresas mantivessem esses recursos em seu poder para honrar outros compromissos. No âmbito do Pronampe, foram realizadas 516,7 mil operações, com desembolsos de R$ 37,5 bilhões, enquanto no PEAC-FGI os números chegam a 85,1 mil operações e R$ 14,8 bilhões em desembolso (apenas para as pequenas empresas).

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