27 de julho de 2020

Destino Seguro

Arialdo Pinho diz que inovação e respeito aos protocolos são fundamentais para a retomada do setor turístico

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Arialdo Pinho- Secretário do Turismo do Ceará

Entre os diversos setores da cadeia produtiva cearense, o turismo foi um dos que mais sofreu com os efeitos da atual pandemia. Conversamos com Arialdo Pinho, Secretário de Turismo do Ceará, sobre o atual cenário do setor turístico e sobre alguns dos principais desafios para a retomada segura e para a vinda de visitantes, nacionais e estrangeiros, ao Estado. Confira na entrevista a seguir.

IN- Com a pandemia ocasionada pelo novo Coronavírus, o setor turístico, no Ceará, foi um dos mais prejudicados. Em números absolutos, é possível representar as perdas?
AP- De janeiro a maio, período que já recebemos os dados consolidados do Aeroporto de Fortaleza, tivemos uma queda de 42% na movimentação de passageiros. Já a demanda turística via Fortaleza, que inclui turistas que chegam pelas estradas, caiu 31%. O número não é tão alto porque inclui os meses de janeiro e fevereiro, que tivemos uma boa demanda. Para se ter uma ideia, a receita turística caiu 30%, passando de R$ 4,6 bilhões, ano passado, para R$ 3,2 bilhões, este ano. Os hotéis não foram obrigados a fechar, mas fecharam por falta de demanda. Todo o setor sentiu.

IN- De acordo com especialistas, investimento privado e turismo doméstico serão os dois principais elementos para a retomada do turismo no Brasil. Qual a opinião do senhor sobre isso?

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Arialdo Pinho

AP- A partir dos protocolos definidos pelo Governo, o controle do vírus – e consequentemente do destino – será feito através de certificação, que dará uma garantia ao estabelecimento, seja ele hotel, empresa de transporte, restaurante etc. Assim, a responsabilidade será mútua, tanto Governo como setor privado terão suas obrigações. Se conseguirmos fazer com que esses protocolos sejam cumpridos, nosso caminho para a retomada será bem mais curto. Precisamos inovar, e inovação significa investimento. E no setor do turismo são poucos os que podem investir. Mas essa será a maior aposta do turismo. Uma possibilidade é inovar na ferramenta de localização, para determinarmos o tamanho de aglomeração que poderia existir, por exemplo. Para avançarmos também precisamos realizar investimentos de apoio aos setores do turismo, tanto em publicidade, como em promoção, em redução de impostos, na realização de eventos. Não será fácil levantar o setor, mas esse problema ocorrerá no mundo todo.  O mercado doméstico é nosso principal mercado, não há como negar. Mas também vamos buscar o turista internacional, dar continuidade à curva de crescimento que estávamos. De 2018 para 2019 tivemos um salto e passamos do 9o aeroporto do País para o 5o em quantidade de passageiros internacionais.

IN- Quais fatores contribuirão para que o turismo cearense volte a alcançar o destaque que sempre foi tão característico?
AP- Reforço a necessidade da inovação em toda a cadeia turística e o respeito aos protocolos, que serão realizados em todos os estados e países, não somente aqui. Nós, como Estado, vamos ajudar, mas pedimos – mais do que nunca -, criatividade e bom atendimento nos destinos do Ceará. Sabemos como o cearense é bem-humorado e hospitaleiro, isso será ainda mais necessário e, com certeza, fará diferença.

IN- Como o senhor avalia a importância do setor hoteleiro nesse momento de retomada do turismo no Estado?
AP- Nessa situação toda, há uma certeza: não poderá haver retrocesso, senão o destino estará fora da rota. O retrocesso trará um longo e árduo caminho de volta. Por isso, temos de começar a operar com calma, paciência e com metas definidas. Não adianta apenas querer que tudo seja retomado com o menor tempo possível, pois isso pode ser um risco. Os hotéis têm um papel fundamental nesse momento. Precisarão seguir as regras à risca, cumprindo os protocolos de limpeza e higienização para que o turista se sinta tranquilo e recomende o destino como um local seguro.

Air France

IN- O turismo doméstico será fundamental nesse reinício. Na sua análise, no entanto, existe uma previsão de quando os estrangeiros estarão de volta ao Brasil?
AP- A Air France anunciou que voltará a voar para o Ceará em outubro. Mas precisamos ver como ficará a questão nacional. Os números no Sul e Sudeste do País não estão caindo. Espero que esse cenário melhore. Tudo se dará na base da confiança, de o turista se sentir seguro aqui. Essa será a relação do turista com seu destino nos próximos anos, até que surja a vacina. O que devemos fazer por aqui são testes aleatórios com os turistas que chegam, controle de temperatura e isolamento em caso de sintomas.

IN- No Ceará, o turismo de negócios sempre foi muito forte. O senhor acredita que essa modalidade pode ser prejudicada, uma vez que as reuniões virtuais no pós-pandemia podem virar uma nova prática?
AP- Eu acho que muitas reuniões podem ser substituídas pela forma virtual, mas ainda acredito no potencial do encontro presencial. Principalmente, quando se trata de grandes eventos, apresentação de produtos, de experiências. Para isso, é importante a presença. Nos adaptamos a única forma possível diante da pandemia e acredito que aprendemos com isso, mas acho que o turismo de negócios vai voltar forte quando for possível.

Kite parade

IN- Pela sua experiência, o senhor acredita que, em quanto tempo, poderemos ter uma normalização na questão de voos de companhias estrangeiras?
AP- Tudo vai depender do número de casos e óbitos. Ainda continua alto no País e se mantendo. Espero que aqui no Ceará consigamos retornar para o fim do período dos ventos e início da alta estação.

IN- Para que ocorra uma retomada no setor turístico no Ceará, com a atração de investimentos, o que será necessário?
AP- Que o nosso destino, além de toda a variedade de atrativos, passe segurança e tranquilidade ao visitante. Que ele tenha certeza que aqui não há risco de contaminação e que terá apenas boas experiências durante sua estadia. Vamos dar ênfase ao “destino seguro”, que segue regras rígidas de proteção e combate ao coronavírus.

IN- É possível traçar um panorama para o segmento turístico cearense nos próximos anos?
AP- Se não houver uma vacina, acredito que levará de 2 a 3 anos para se reestabelecer. Se conseguirem desenvolver uma vacina eficaz, esse período deve diminuir para 1 ano. O turismo hoje é uma necessidade, exatamente pelo estado de quarentena que o mundo passou. Pode ser um processo gradual, mas vamos voltar com toda a força.

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