1 de junho de 2020

Energia Sustentável

DFB Festival se reinventa, muda de nome e transforma-se no DFB DigiFest

Helena E Claudio Silveira (2)

Helena e Cláudio Silveira – Realizadores do DFB Festival

“Sempre vi um enorme potencial criativo na moda cearense. Mas o foco não era, ao contrário dos eventos do Sudeste, a moda comercial. O que nos fascinava era a moda autoral, a criação pura, livre”, é assim que Cláudio Silveira explica o surgimento do DFB Festival, maior encontro da moda autoral da América Latina, criado por ele em 1998.

Este ano, em sua 21ª edição, por conta da pandemia ocasionada pelo Covid-19, o Festival terá algumas novidades. A principal delas é a mudança no próprio nome do evento, que se chamará DFB DigiFest, já deixando claro o formato online da ação.

“Na verdade, mais que mudança, é uma evolução. Durante o período de formatação, tivemos toda a preocupação em manter ao máximo uma programação capaz de resgatar o espírito DFB além de ações sociais pensadas para minimizar o impacto da pandemia entre segmentos da indústria criativa, severamente atingidos”, ressalta Cláudio.

O DFB DigiFest será realizado entre os dias 1 de junho e 19 de julho e terá sua programação dividida em seis categorias: ação social, cultura, design, empreendedorismo, formação e gastronomia. A programação será divulgada nas redes sociais do DFB Festival.

Este ano, ao invés dos milhares de postos de trabalho e das centenas de trabalhadores envolvidos na produção, montagem e realização do DFB, toda a equipe, composta pela coordenação geral, direção criativa, agência de comunicação e assessoria de imprensa, está trabalhando em esquema de home office. Os nomes das atrações serão apresentados durante esta semana, de maneira gradual.

Ação social de enfrentamento ao Covid-19

Onelia Leite, Claudio Silveira E Giselle Bezerra

Onelia Leite Santana, Claudio Silveira E Giselle Bezerra

“Energia Sustentável” é, segundo o idealizador do evento, o megaprojeto desta edição. Em parceria com a Enel, serão doadas 200.000 máscaras de proteção para domicílios situados nos bairros de maior vulnerabilidade social da Região Metropolitana de Fortaleza. “Nós convidamos 10 designers e marcas autorais do nosso line-up para criar estampas inspiradas em esperança e solidariedade; as estampas serão aplicadas nas máscaras, seguindo as recomendações técnicas do Ministério da Saúde e Anvisa”, revela Cláudio. A iniciativa é 100% gratuita e, para viabilizar essa ação, o DFB Festival destinou parte significativa de seu orçamento de realização. Além das máscaras serem confeccionadas por uma indústria cearense, participantes do programa Enel Compartilha Empreendedorismo irão atuar na logística de distribuição das unidades.

Mercado de moda autoral cearense
Cláudio Silveira afirma que a pandemia da Covid-19 subverteu todas as regras do jogo e virou o mundo de ponta-cabeça. Se nos últimos anos já era difícil arriscar alguma previsão, hoje é impossível. “O que percebemos, de modo geral, é que momentos de crises severas ocultam sempre ótimas oportunidades para quem é criativo e o mesmo pode ser dito para as empresas. Reinvenção é a palavra a ser exercida hoje em dia por quem faz a indústria da moda, não só no Brasil, mas em todo o mundo. Existe um completo esgotamento do formato atual de produção e consumo; e acredito que a pandemia irá nos forçar a repensar as relações entre pessoas e mercado”, explica.

Os últimos 20 anos, período que coincide entre a 1ª e a 21ª edição do DFB Festival, foram fundamentais para a indústria da moda no Ceará. Além da chegada da internet e a velocidade com a qual o desejo e o consumo passaram a afetar a forma de criar e produzir, outro ponto importante foi a criação dos cursos de moda, técnicos e superiores.

“Na última década, a enorme carga tributária acabou por sucatear nossa indústria têxtil. A China tornou-se um player ameaçador para nossa indústria da moda. As redes de fast fashion mudaram nossa forma de consumir moda e quebraram preconceitos em todas as classes. Foram anos com muitas emoções fortes. A 1ª edição era muito específica, com foco nos estilistas autorais que precisavam de uma maior inserção na indústria local”, assevera Silveira. E completa: “Hoje, o DFB é um festival multidisciplinar que vai da moda à gastronomia, passando pelo empreendedorismo, audiovisual e ações formativas. Em comum, e ainda essencial para compreender o DFB, está a missão de promover o acesso de novos talentos ao maior número de pessoas e formadores de opinião”.

História e números do evento

O Dragão Fashion (como se chamava na época em que foi criado) surgiu em 1998, durante uma viagem que Cláudio realizou com amigos da indústria, para Nova Iorque. O nome surgiu como referência ao Centro Cultural Dragão do Mar, que também foi inaugurado no mesmo período e era onde o evento se realizava nas primeiras edições. “O ano de 1999 já foi a estreia do evento, que surgiu exatamente para cobrir uma lacuna no trade da moda do Ceará e do Brasil. Na época, vivíamos o início do processo de profissionalização das semanas de moda. São Paulo começava a se posicionar com firmeza, era época do Morumbi Fashion, herdeiro direto do Phytoervas. E foi para impulsionar nossos estilistas-artistas que o DFB foi criado e acabou tornando-se o maior e mais importante evento desse segmento em todo o País”, relembra Silveira.

Claudio Silveira, Elcio Batista E Tiago Santana (2)

Claudio Silveira, Elcio Batista E Tiago Santana (2)

Ao longo de 21 anos, foram 664 desfiles apresentados. Em 2019, o DFB Festival gerou 3.655 postos de trabalho, diretos e indiretos, além da participação voluntária de 132 alunos de 11 instituições de ensino dos estados do Ceará e Rio Grande do Norte, representando as graduações de Design de Moda, Hotelaria, Produção de Eventos e Publicidade & Propaganda. Além disso, o DFB Festival é, também, um evento com certificado de Sustentabilidade, auditado legalmente. Em parceria com o Projeto Ecoenel, foram coletados e reciclados 1.906,53 kg de resíduos, gerando insumos como metais, vidro, papel, papelão, plástico e óleo.

Cenário da moda no Ceará e no Brasil e perspectivas pós-pandemia
De acordo com o empresário, nossa indústria tem enfrentando muitas dificuldades; da tributação elevada à concorrência das grandes redes de fast fashion, passando pelas demandas online (que ainda são relativamente pouco exploradas pelos nossos players). Os desafios são muitos e, após termos ficado parados praticamente um trimestre, a situação é ainda mais desafiadora para quem trabalha com moda.

“O mundo pós-pandemia pode nos trazer uma realidade nova; ainda passaremos os próximos meses nos readaptando; grandes marcas quebraram; novos negócios surgiram. Os microempreendedores – que são a cara do DFB – continuam lutando para sobreviver, usando, principalmente suas redes sociais como uma plataforma de varejo cada vez mais sólida. O próprio formato “desfile” tem sido cada vez mais repensado. Qualquer previsão acertada é improvável. O que podemos garantir é que o DFB continuará firme na defesa da criatividade, da inovação e na descoberta dos talentos que ajudam a renovar o oxigênio da indústria da moda brasileira”, orgulha-se.

SERVIÇO:
DFB DigiFest 2020
Festival Online de Moda, Cultura e Empreendedorismo
1º de Junho a 19 de Julho de 2020
Programação online em www.dfbfestival.com.br
Novidades e atualizações nas redes sociais: @dfbfestival

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