RITMO ACELERADO

BC eleva taxa Selic para 5,25% ao ano, em decisão por unanimidade do Copom

Por Marcelo - Em 4 de agosto de 2021

Em meio ao aumento da inflação de alimentos, combustíveis e energia, o Banco Central  decidiu apertar ainda mais o cinto. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária elevou a taxa Selic de 4,25% para 5,25% ao ano. A decisão já era esperada pelos analistas financeiros.

Esse foi o quarto reajuste consecutivo na taxa Selic, mas o seu ritmo aumentou. Nas últimas três reuniões, o Copom tinha elevado a taxa em 0,75 ponto percentual em cada encontro. Com Covid-19 detectada em teste na semana passada, o diretor de Política Monetária do BC, Bruno Serra Fernandes, não participou da reunião presencial.

Banco Central decidiu pela nova alta da Selic na reunião de hoje                      Foto: Divulgação

Com a decisão desta quarta-feira (4), a Selic continua num ciclo de alta, depois de passar seis anos sem ser elevada. De julho de 2015 a outubro de 2016, a taxa permaneceu em 14,25% anuais. Depois disso, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia até que chegasse a 6,5% a.a. em março de 2018.

Em julho de 2019, a Selic voltou a ser reduzida até alcançar a histórica marca de 2% ao ano em agosto de 2020, influenciada pela contração econômica gerada pela pandemia de Covid-19. Esse foi o menor nível de sua série iniciada em 1986.

Inflação

A Selic é o principal instrumento do BC para manter a inflação oficial sob controle, medida pelo IPCA. Em junho, o indicador fechou no maior nível para o mês desde 2018 e acumula 8,35% em 12 meses, pressionado pelo dólar e pela alta da energia elétrica.

O valor está acima do teto da meta de inflação. Para 2021, o Conselho Monetário Nacional (CMN) tinha fixado meta de inflação de 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O IPCA, portanto, não podia superar 5,25% neste ano nem ficar abaixo de 2,25%.

No Relatório de Inflação divulgado no fim de junho pelo Banco Central, a autoridade monetária estimava que, em 2021, o IPCA fecharia o ano em 5,82% no cenário base. Mesmo com uma queda nos índices no segundo semestre, esse cenário considera o estouro do teto da meta de inflação em 2021.

A projeção está abaixo das previsões do mercado. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 6,79%. A projeção oficial só será atualizada no próximo Relatório de Inflação, no fim de setembro. (Agência Brasil)

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