PRODUÇÃO SERÁ REDUZIDA

Presidente do Grupo Haisa alerta para alta no preço do frango e do ovo. O motivo?

Por Marcelo - Em 12 de maio de 2021

José Quintão, dono de um sólido grupo de empresas do Agronegócio, fez um alerta com relação às constantes altas no preço dos insumos para os produtores de ovos e aves de corte, não apenas do Ceará, mas de todo o Brasil, devido à constante alta das matérias primas da ração, principalmente milho e soja.

Ele ressaltou que não está havendo falta desses produtos, mas os preços subiram muito nos últimos seis meses, em torno de 50%, o que está dificultando de maneira significativa a produção, devido aos custos estarem bastante elevados. E não está havendo possibilidade desse custo ser repassado para os consumidores.

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José Quintão, presidente do Grupo Haisa

Destacou que da maneira como está, o negócio fica inviável. “A alternativa que estamos vendo será reduzir a produção e aumentar os preços, pois não podemos continuar trabalhando com prejuízos durante tanto tempo. Acredito que os preços do frango e dos ovos devam ter uma alta de 30% em breve”, disse o presidente do Grupo Haisa.

O empresário do setor avícola explicou que nas últimas reuniões que aconteceram na Associação Cearense de Avicultura (Aceav), a reclamação é a mesma, pois todos os produtores têm destacado essa situação preocupante e alegam que não têm como continuar trabalhando desse jeito. E isso está ocorrendo em todo o Brasil.

O Grupo Haisa também possui fazendas de criação de camarões no Ceará e o preço da ração dos crustáceos – que também registrou uma elevação média de 30% desde o fim de 2020 -, aliado ao fechamento parcial dos restaurantes, têm impactado fortemente a carcinicultura cearense.

A ração para os criadores de camarão registrou uma alta de 30% nos últimos seis meses, o que vai repercutir na redução da produção e consequente aumento de preços nos próximos dias. ”Quando o produtor não tem dinheiro para adquirir a ração, precisa reduzir o volume produzido. E isso terá reflexos no preço final”, advertiu José Quintão. Atualmente, a Haisa produz 470 mil ovos por dia, 300 toneladas semanais de frango, além de 30 toneladas mensais de camarões.

Representatividade

Segundo o empresário João Jorge Reis, presidente da Aceav, o milho praticamente dobrou de preço em um ano, pois no primeiro trimestre de 2020 os produtores compravam uma saca de 60 quilos por cerca de R$ 46,00 e, atualmente, ela está em torno de R$ 96,00.

Avicultura nacional passa por momento complicado devido à alta dos insumos 

“Hoje a avicultura, tanto de postura quanto de corte, além da suinocultura e o setor leiteiro, têm enfrentado uma alta muito grande de preços nos insumos. Mas existe uma dificuldade muito grande de repassar esta elevação para o consumidor final, que teve redução de ganhos”, salientou.

Isso está estrangulando o setor, e a redução do capital de giro do produtor vai acabar diminuindo o nível de produção. “Vendemos tudo o que produzimos, mas com prejuízos. E, num determinado momento, isso poderá gerar uma alta de preços e fazer com que nem todas as pessoas tenham acesso a esse tipo de alimento, o que preocupa o setor”, lamentou.

E afirmou que não interessa ao setor reduzir a produção, pois houve investimentos em equipamentos, para gerar a expansão dos volumes produzidos, visando garantir o acesso a uma fatia cada vez maior da população aos alimentos. “Mas da maneira que está o mercado de insumos, subindo de maneira constante e sem termos como elevar os preços dos nossos produtos, acaba inviabilizando o negócio. Antes, havia aumentos sazonais, mas tínhamos como fazer estoques. Hoje, não temos condições de prever e as altas dos custos são consecutivas, o que não é bom nem para nós, produtores, nem para os consumidores”, completou João Reis.

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