13 de janeiro de 2021

EXIGÊNCIAS DE MERCADO

Governança e uso da tecnologia ajudam empresas que querem realizar seu IPO

A pandemia de Covid-19 impactou fortemente a economia global em 2020. Entretanto, a Bolsa de Valores brasileira conseguiu superar as perdas iniciais com uma forte recuperação, reflexo da liquidez promovida pelas medidas dos Bancos Centrais em todo o mundo. Além disso, os juros baixos no Brasil deixaram o mercado de capitais muito mais atrativo para captação de novos recursos.

Planta da Aeris, no CIPP, deve duplicar sua produção até 2023                        Foto: Divulgação

Foi por esse motivo que, mesmo com todas as incertezas, 2020 bateu o recorde no número de investidores na B3, com 25 aberturas de capital (IPO), o que movimentou expressivos R$ 31,7 bilhões ao longo do ano. Uma delas foi a fabricante de pás eólicas cearense Aeris, que em novembro último movimentou mais de R$ 1,13 bilhão e registrou uma valorização de 14,23% no seu primeiro dia de vendas de ações na B3. Ainda que algumas empresas tenham desistido do processo por conta do cenário desafiador, há mais de 40 pedidos de registro de IPO junto à Comissão de Valores Mobiliários. Para aqueles que planejam se lançar na bolsa, talvez seja o momento ideal para começar a se preparar.

O processo pode ser longo e está longe de ser uma tarefa simples, mas existe uma receita básica a seguir. Essa fase de preparação implica em criar uma maturidade com relação a governança corporativa e gestão de processos internos na companhia, que resultam no caminho de transparência que uma empresa de capital aberto de sucesso precisa ter. “E essa receita tem um ingrediente fundamental: a tecnologia. É fundamental ter em mãos, a todo tempo, uma variedade de dados que estejam fomentados por ferramentas tecnológicas – como softwares e sistemas de gestão – que sejam compilados e relatados com precisão e agilidade”, explicou Gilsomar Maia, VP Administrativo e Financeiro e Diretor de Relações com Investidores da TOTVS.

Além disso, é muito importante que a inovação esteja sempre presente e seja fornecida por empresas reconhecidas no mercado, para ser devidamente empregada em todas as áreas internas: desde a elaboração de relatórios, como também no departamento financeiro, tesouraria, no departamento jurídico, no RH, nas relações com investidores e a imprensa. O cuidado com os dados, com a transparência, governança e compliance em todas as áreas é crucial para o sucesso da corporação que pretende entrar na Bolsa.

Gilsomar Maia diz que balanços auditados devem ser implantados antes do IPO

“Planejar o IPO é também um processo de amadurecimento da companhia. Criar o hábito de ter balanços auditados antes mesmo de iniciar um processo de IPO servirá como uma prévia da obrigatoriedade que as empresas listadas possuem de divulgar seus resultados financeiros a cada trimestre. Mais uma vez, estar munido de ferramentas tecnológicas adequadas vai apoiar muito nessa etapa”, salientou Gilsomar Maia.

Uma prova da importância da governança para o IPO é o fato de que, segundo dados da B3, quase 70% das ofertas iniciais de ações foram de companhias que entraram diretamente no segmento Novo Mercado, que é o nível mais exigente com relação a esse tópico na Bolsa. Dos 25 IPOs realizados no ano passado, apenas duas empresas não entraram nessa listagem de Novo Mercado. Isso mostra que a governança está sendo levada muito a sério, e a tecnologia é o meio para pavimentar os caminhos das exigentes regras de transparência.

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