ALEGATIVA DE NÃO CONFORMIDADES

Camilo critica veto à importação e uso emergencial da Sputnik V pela Anvisa

Por Marcelo - Em 27/04/2021 às 7:55 PM

O governador Camilo Santana criticou a decisão tomada por unanimidade pela diretoria da Anvisa, na noite desta segunda-feira (26), ao vetar a importação da vacina russa Sputnik V contra a Covid-19, alegando que ela não oferece toda a segurança biológica e poderia trazer riscos à saúde das pessoas que a receberem. No início da tarde ele se reuniu com os governadores do Nordeste e representantes do Fundo Soberano Russo. “Avaliamos a decisão tomada ontem pela Anvisa, e os próximos passos a serem dados pelo fabricante para que o processo tenha prosseguimento de forma célere e segura”, afirmou.

Camilo Santana lamentou a decisão da agência reguladora                              Foto: Divulgação

“Embora respeite a decisão da Anvisa de veto ao uso emergencial da Sputnik V neste momento, não posso deixar de expressar minha decepção e estranheza, pelo fato da mesma vacina já ser usada em muitos países, e com eficácia demonstrada. O próprio Comitê Científico do Nordeste se posicionou favorável ao uso da Sputnik V”, disse.

Produzido pelo Instituto Gamaleya, da Rússia, uma equipe da Anvisa que esteve na fábrica realizando uma inspeção, apontou falhas na fabricação das vacinas e pendências na documentação que foi apresentada e, por esse motivo, recomendou que não seja emitida a autorização de uso emergencial da Sputnik V. Além disso, três técnicos da Anvisa que foram enviadas a Moscou, não tiveram autorização do governo russo para realizar uma inspeção no Instituto Gamaleya.

“Para os pleitos ora em deliberação, o relatório técnico da avaliação da autoridade sanitária ainda não foi apresentado, os aspectos lacunosos não foram supridos, confirme as apresentações técnicas. Portanto, diante de todo o exposto, verifica-se que os pleitos em análise não atendem, neste momento, às disposições da Lei 14.124 e da Resolução da Diretoria Colegiada 476, de 2021, razão pela qual eu voto pela não autorização dos pedidos de importação e distribuição da vacina Sputnik V”, afirmou o diretor da agência, Alex Machado Campos.

Segundo o gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa, Gustavo Mendes, os lotes da vacina russa analisados teriam a presença de adenovírus com capacidade de reprodução, o que traria riscos à saúde humana. Esse adenovírus é capaz de se replicar no corpo humano, mas quando usado como imunizante, essa característica deveria ser neutralizada, o que não teria ocorrido no caso dos lotes da Sputnik V analisados pelas equipes da Anvisa.

Sputnik V teria a presença de adenovírus replicante não neutralizado

“Um dos pontos críticos, cruciais, foi a presença de adenovírus replicante na vacina. Isso significa que o vírus, que deve ser utilizado apenas para carregar o material genético do coronavírus para as células humanas e promover a resposta imune, ele mesmo se replica. Isso é uma não conformidade grave. Esse adenovírus replicante foi detectado em todos os lotes apresentados da vacina Sputnik”, ressaltou Gustavo Mendes.

“Continuarei lutando por essa autorização, de forma segura e seguindo todas as regras, para podermos trazer a vacina para nossa população o mais rápido possível, principalmente diante da lentidão do Governo Federal no repasse de vacinas aos estados. O que não aceitarei jamais é que haja qualquer tipo de politização desse processo. Isso é absolutamente inaceitável”, asseverou Camilo Santana. (Com informações da Agência Brasil) Atualizada às 19h55.

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