Maninho Brígido: 60 anos dedicados à publicidade

24 de Setembro de 2018 . Por Balada In

O publicitário Eduardo Brígido Monteiro Filho, mais conhecido como Maninho Brígido, completou este ano 60 anos de trabalho na sua área de especialização, com uma carreira repleta de sucessos e premiações nacionais, latino-americanas e mundiais. Podendo se considerar um homem e profissional plenamente realizado, ele diz que “ainda não”, pois continua no mercado, e afirma ter muita coisa ainda para realizar. Ele iniciou suas atividades aos 15 anos, no Departamento de Publicidade dos Diários Associados, Correio do Ceará e Unitário. Com a inauguração da TV Ceará, vislumbrou um novo mercado de propaganda e abriu a Publicinorte, que evoluiu e, hoje, é administrada por seu filho Eduardo Brígido Monteiro Beto, o Duda, com o nome de EBM Quinto. “Vale ressaltar, que graças aos meus clientes, que me bancaram, tive esse amplo sucesso. Pois ganhar um prêmio em Nova Iorque, que foi medalha de bronze do Clio Internacional nos Estados Unidos, tinha que ter um cliente que apostasse alto. Tivemos a sorte de, na época, termos o Grupo Edson Queiroz como nosso cliente e o comercial que nos deu o terceiro lugar no ranking de comerciais de televisão, foi da Esmaltec, no lançamento dos fogões Tropicana”, lembrou.

Outro prêmio que ele destacou como de grande alegria, que marcou a sua premiada carreira dentro da publicidade, foi ser reconhecido como publicitário latino-americana, no do ano de 2002, que lhe rendeu, também, uma homenagem concedida pelo então presidente da Câmara dos Deputados, em Brasília, Eunício Oliveira, atualmente senador e presidente do Congresso Nacional. “Ele fez uma mensagem muito positiva, me parabenizando pelo feito, pois uma agência do Ceará se sobressair dentro de um mercado competitivo, com grandes agências nacionais e internacionais. Outro prêmio que vencemos foi em Cannes, onde fomos eu, o Nazareno Albuquerque, na época da Mark Propaganda, e o meu cliente era a Aba Filme, e o do Nazareno o Grupo M. Dias Branco. Fomos agraciados e ganhamos essa ida para Cannes, assistir ao Festival Mundial da Propaganda. Foi um dos prêmios que fomos reconhecidos aqui no Ceará”, comemorou Maninho.

História

Em 1964 o jovem publicitário que já havia trabalhado em algumas empresas de comunicação cearenses, decidiu montar sua primeira agência, a Publicinorte, junto com seu pai e o também publicitário Tarcísio Tavares. Depois de 11 anos, com o falecimento de seu pai, houve uma divisão de cotas e montou a EBM Propaganda e Publicidade Ltda, em homenagem ao seu pai,Eduardo Brígido Monteiro. Depois de seis a oito anos, seu filho Duda Brígido, assumiu o controle da agência e promoveu um crescimento exponencial no volume de clientes, e a agência passou a ser chamada de EBM Novo Tempo, significando a nova gestão à frente dos negócios. E depois de mais alguns anos, teve a satisfação e alegria de ter seu outro filho, Otávio Brígido, que era dono da Quinto Propaganda e Publicidade, que se associou à empresa do irmão Duda Brígido, formando a EBM Quinto.

“Meu filho Otávio era um dos sócios da Quinto, e com a saída de dois deles, assumiu a frente dos negócios tanto que a agência cresceu muito, tanto que passou de uma sala para um andar inteiro no edifício comercial. Então chamei o Duda e falei vamos raciocinar, vamos juntar, fazer a união, pois ele é seu irmão, e levando sempre o nome EBM, surgiu a EBM Quinto, que está no mercado até hoje, com ótimos clientes e numa fase espetacular. Então eu estou tranquilo, porque os meninos estão todos colocados. O terceiro, João Vitor, é médico e está residindo no Rio de Janeiro e eu estou aqui, me divertindo com as revistas, do Ideal, Alphaville, uma do Museu do Automóvel que é histórica e feita de dez em dez anos. Como a que comemorou os 37 anos do Museu do Automóvel e os 45 anos do Veteran Car Club, sendo que esta última eu faço de cinco em cinco anos”, disse Maninho Brígido. Há alguns anos, Otávio Brígido saiu da agência e está realizando uma série de trabalhos voluntários e atuando na área do co-work.

Maninho Brígido chegou a ser colecionador de carros antigos e piloto de corridas automobilísticas, sagrando-se tri-campeão de Divisão 3 Norte/Nordeste, correndo com um Dodge Polara 1.800cc. “Sempre gostei muito de automobilismo, de acelerar nas pistas e hoje, aos 76 anos, ainda tenho muita energia para gastar, graças a Deus. A publicidade é como uma cachaça. Você não quer saber quanto ganha, você quer produzir, criar. A coisa melhor do mundo é você trabalhar com o que você gosta. Muitas pessoas acham que tenho 70, 68, 62 anos, mas tenho bem mais. Um dos fatores é por isso. Trabalhar com o que você gosta, você trabalha com satisfação e isso ajuda a não envelhecer. E sempre pauto pela ética. Tanto que fui reconhecido na General Motors pelo meu trabalho com a três concessionárias daqui: Cimaipinto, Silcar e Sanauto. Trabalhei com as três, durante vários anos, e sempre pautado em não vazar uma campanha ou promoção de uma para a outra. Tanto que fui convidado para ir a São Paulo para a inauguração do campo de provas de Cruz Alta. E fui apresentado ao presidente da GM, americano, que me chamava de “Camaleón”. Você vai na Silcar é uma cor, vai na Sanauto é outra cor, Cimaipinto muda de cor e quem muda de cor lá no Nordeste é camaleão, ele disse, sorrindo”, lembrou.

Merchan

Naquela época, Maninho Brígido fazia merchandising, sem dizer o que era aquilo. “Fiz muito merchandising na Rede Globo, nas novelas. Tinha um cliente Mirage Toscani, o Aloísio Ximenes e a gente pegava as camisas de lançamento e colocava nos artista, numa novela com Sônia Braga, a Dancing Days. Na época a gente achava que era uma ação de propaganda normal. E, hoje, tem essas ações de comunicação, mas a gente já fazia isso, mas tudo na intuição, na criação. Via as brechas e entrava. Pois se fôssemos pagar um comercial numa novela dessa era uma fortuna. Até hoje é, pois é na Globo. E a gente fazia esse merchadising por muito menos da metade do preço que se fosse fazer um comercial normal e dava um efeito. Pois muitos vendedores da marca falavam: “Olha essa é a camisa da novela. E o cliente fechava as compras na hora. É muito bom trabalhar, criar, mudar opinião, a maneira da pessoa da pessoa ver o produto. Isso é fantástico”, asseverou o publicitário.

Perguntado se depois de tanto tempo de trabalho, se havia um limite para o profissional, Maninho foi enfático ao dizer que não e deu um recado aos estudantes ou quem pretende fazer publicidade, que é necessário estar ligado às novas tecnologias. “Quero continuar trabalhando. Não sei ficar ocioso, pois faz mal para mim ficar parado. Minha mente tem de estar sempre ativa. Meu início de carreira foi nos anúncios populares do O Unitário, que era o jornal do meu bisavô, João Brígido. O papai me chamou para dinamizar os Populares e notei que era vende-se geladeira, misturado com vende-se automóveis, com aluga-se casas. Então fui logo classificando, criando seções, o que virou os Classificados. Crescemos muito, pois passamos de duas páginas para um caderno, em pouco mais de um ano. Hoje os classificados estão definhando, pois você tem os canais de internet especializados, como OLX, que são os classificados eletrônicos e a tendência é essa. Você vê a Kodak, grandes empresas que foram engolidas pela tecnologia. Hoje, tudo é muito rápido, digitalizado e estamos presos a um smartphone que você resolve quase tudo. Então é preciso estar antenado, conectado às tecnologias e usá-la a seu favor. Antigamente eu ia para Recife, fazer um clichê de alta definição. Hoje é tudo digital e a qualidade é muito melhor. Tudo no computador, com programas específicos. Hoje as pessoas têm todas as ferramentas na mão. O diferencial é a capacidade criativa”, finalizou Maninho Brígido.

Duda, Otávio e Maninho Brígido, uma família que s dedicou à arte da propaganda e marketing

Foto: Divulgação