Susana Clark Fiuza quer chegar ao topo

04 de Janeiro de 2018 . Por Balada In

Um mercado efervecente, que desafia qualquer crise com profissionalismo, sensibilidade, determinação e criatividade. Que se impõe como diferencial decisivo no competitivo cenário imobiliário do País. A Arquitetura cresce no Brasil ao mesmo tempo em que ganha cara nova, assumindo um perfil mais jovem e feminino, cada vez mais capacitado.

De acordo com censo realizado pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), esse mercado, que historicamente foi marcado por nomes consagrados do universo masculino brasileiro, como Oscar Niemeyer, se apresenta hoje liderado por mulheres, que representam 61% da população de arquitetos e urbanistas do País.

A faixa etária desses profissionais também rejuvenesceu e a predominância feminina vai se tornando maior entre arquitetos mais jovens. Enquanto entre profissionais com idades entre 41 e 50 anos as mulheres representam pouco mais da metade (57,4%), na faixa de 20 e 25 a anos elas chegam a corresponder a 78,3%. De 26 a 29 anos elas são 72,02% do total; entre 30 e 35 anos, a taxa é de 65,96%. E na faixa de 36 a 40, as mulheres são 62,29%.

No Ceará, a realidade não é diferente do restante do País. O mercado de arquitetura vem ganhando impulso e se consolidando com a força de trabalho e a ousadia de jovens arquitetas, como Susana Clark Fiuza, um dos destaques da Casa Cor Ceará 2017, que conquistou a vice liderança como melhor designer da mostra e já consagrou sua marca na arquitetura cearense, harmonizando sofisticação, funcionalidade e ousadia em seus projetos.

Seu gosto pelo desenho e pela construção civil vem da infância. “Quase sempre soube o que queria ser. Essa é uma vantagem grande. Desde pequena conheci a área de engenharia com meu pai, Mauro Clark, que é engenheiro civil. E eu sempre gostei de desenhar. Quando criança morei numa casa que tinha um terreno muito bom. Então meu pai foi construindo as áreas externas por etapas e eu tive a oportunidade de aprender muito. Nessa época eu tinha entre 10 e 12 anos”, recorda.

Ciente desde cedo da profissão que desejava exercer, Susana Fiuza começou a se preparar para conquistar o seu sonho ainda no colégio. “Fiz dois anos de desenho técnico quando ainda estava cursando o 2º ano do ensino médio. Estudei muito e passei na UFC (Universidade Federal do Ceará). Eram só 20 vagas. Mas tudo foi acontecendo muito natural na minha vida. Hoje já tenho 16 anos de formada”, afirma a arquiteta.

A conquista de seu espaço no mercado de arquitetura não demorou. “Sou muito determinada. Quando eu terminei a faculdade já possuia minha própria clientela. Então decidi abrir meu escritório no Shopping Del Paseo. Precisava ter uma estrutura, ter a minha empresa”, conta.

Casa Cor

Mas seu grande sonho ainda estava por se realizar: participar da Casa Cor. E a Casa Cor Ceará foi peça chave para impulsionar a sua carreira. “Em 2002, com 1 ano de formada, fiz a minha primeira participação na exposição, projetando a Suíte do Bebê. Foi um marco porque foi o segundo ambiente mais votado naquele ano e isso me trouxe uma alegria muito grande. Por conta desse trabalho, durante anos eu fiz muitos quartos de bebê”.

O sucesso foi tanto que, desde então, Susana já participou de sete edições da Casa Cor Cerá. Em 2004 a arquiteta projetou o Quarto do Fillho. No ano de 2006, ela assinou a Suite Master do casal com varanda. Em 2008, seu espaço foi o Escritório do Jornalista, em homenagem ao fundador do Jornal O POVO, Demócrito Rocha Dummar, falecido em junho do mesmo ano.

Pela primeira vez, em 2010, Suzana foi convidada a produzir dois espaços: a Sala da  Arquiteta e o Espaço da Construtora – Stand de vendas do residencial Verdi, da WR Engenharia, um case de sucesso, que guarda com carinho. “Além de projetar o espaço da construtora na Casa Cor, fui convidada a produzir todas as áreas comuns do prédio e ainda fiz o projeto de mais de 20 apartamentos no mesmo condomínio”.

Em 2013 ela fez a Sala de Cinema (Home theater). E na 19ª edição da Casa Cor Ceará, em 2017, a arquiteta voltou a produzir dois ambientes: a Varanda Perla e o Stand Imobiliário Lopes Immobilis. “Foi muito desafiador. Em apenas 45 dias tive que montar duas estruturas grandes na Casa Cor deste ano”.

No espaço da Lopes Immobilis Susana Fiuza elaborou um projeto requintado, prático, funcional e clean ao mesmo tempo. “Tudo foi pensado cuidadosamente para não roubar o brilho das construtoras. Precisava deixar as maquetes se sobressairem”, explicou.

Já na Varanda Perla, Susana equilibrou a ousadia e a elegância no estilo contemporâneo, sem descuidar do aconchego do espaço. “O painel 3D de madeira foi meu toque de ousadia. A peça é o diferencial desse ambiente. Mas toda varanda tem que ser aconchegante, tem que acolher, abraçar. Por isso coloquei duas chaises na varanda para a familia assistir TV junto. Ao lado do jardim tem duas poltronas de balanço para relaxar e esquecer do tempo. São vários espaços dentro da varanda, que possui 120 m²”, descreve.

Susana Fiuza contabiliza os louros de sua sétima participação na Casa Cor Ceará. “O retorno da Casa Cor é sempre muito bom. É impulso para crescer. Oportunidade para o cliente conhecer o nosso estilo, para entender a concepção das coisas, para trabalhar a marca e impulsionar o nome do profissional”, resume.

Outros projetos

Além da Casa Cor, ela desenvolve projetos, com base noutros conceitos. “Em paralelo faço projetos residenciais, comerciais, de casas, apartamentos, lojas, escritórios. Nesses trabalhos, busco a equação entre a objetividade e a sofisticação. Nos apartamentos decorados, mesmo com verba pequena, temos de encantar. Fazer ambientes harmoniosos e também aconchegantes”.

Para a arquiteta, o foco é sempre o cliente. “Procuro conversar, entrevistar o cliente, para conhecer o seu dia a dia. O ambiente tem que ter a cara dele. Precisa estar de acordo com o que o cliente deseja, diferente da Casa Cor, onde posso extravasar a minha criatividade”.

De acordo com a arquiteta, o valor a ser investido na arquitetura e ambientação do imóvel também vai depender do desejo do cliente. “Em média o investimento (no projeto de arquietetura) fica entre 30% e 50% do valor do imóvel, mas pode chegar ao valor total do imóvel”, calcula.

Susana também está desenvolvendo projeto para um hotel, de investimento português, em Fortim. “Ele será no estilo ‘time share’. O cliente paga uma taxa pequena por mês e tem direito a 15 dias por ano. É uma proposta nova. Um  conceito diferente”, explica.

Outro desafio é o projeto de um novo espaço que acolherá crianças carentes da Comunidade do Gengibre, no entorno do imóvel que abrigou a Casa Cor Ceará 2017. “A pessoa que está a frente desse trabalho me convidou para desenhar o projeto. Estou muito feliz por participar de uma iniciativa tão nobre”.

 

 Equilíbrio

Casada há 18 anos e mãe de três filhos – de  12, 10 e 6 anos – Susana diz que seu maior foco é o equilíbrio. “Procuro dá o meu melhor como arquiteta e também como mãe. Faço questão de acompanhar o crescimento dos meus filhos. Não seria completa sem fazer bem feito. O sucesso é fazer o nosso papel em todas as áreas da vida. Não só no lado profissional”.

 Exigente consigo mesma, Susana pratica esportes e outras atividades físicas. “Sou uma pessoa dinâmica, ativa e muito intensa. Procuro fazer tudo com dedicação e foco”, diz a arquiteta, que afirma buscar o equilíbrio em todas as esferas de sua vida. Em primeiro lugar Deus (religião), sua família, a profissão que abraçou e, por fim, o esporte – motor que lhe proporciona a energia necessária para encarar tantos papéis.

Desafios

A despeito da crise mundial, que acabou refletindo em todos os setores, incluisive na arquitetura, Susana não se deixa abater . “A dificuldade faz com que a gente cresça, que nos tornemos melhores. O desafio é que faz a gente ser mais enxuto, ter mais criatividade, ousar mais”.

Para Susana Fiuza, 2018 será um ano desafiador, com voos novos e com a retomada do aquecimento do mercado. “Com o turismo em crescimento, o mercado aquecendo de novo, o comércio voltando a vender, o cenário melhora para a gente também”, afirma.

Dados do censo da CAU/BR mostram que profissionais do ramo de arquitetura estão em constante aperfeiçoamento para enfrentarem o abalo sofrido com a crise, que atingiu a área da construção civil, refletindo no mercado da arquitetura.

Segundo o levantamento, 86% dos arquitetos dominam softwares de desenho por computador, 28% usam bem programas de geoprocessamento, 63% dizem dominar também outros softwares de uso profissional e 82% frequentam cursos, feiras, eventos e seminários.

Susana Fiuza

Foto: Balada In