A segmentação do mercado luxuoso não é mais concebida de uma única forma de luxo. Atualmente, esse mercado se expande de forma acentuada já que não é possível enquadrar todos os artigos em um único contexto, nem destiná-los a uma classe específica e limitada de consumidores. Por esse fator há vários níveis de luxo, que servem a públicos diferentes. Segundo a especialista no mercado de luxo, Carolina Boari, os produtos deste segmento podem ser enquadrados em três esferas diferenciadas, de acordo com o grau de acessibilidade como superluxo, luxo intermediário e luxo acessível.

“Essa divisão do mercado em subconjuntos homogêneos é para atender clientes que compartilham desejos, necessidades, características e comportamento semelhantes”, explica Carolina. A partir desses conjuntos é selecionado o mercado alvo que permite definir as ofertas em termos de design, preço, distribuição e serviços que satisfaçam seus clientes específicos, canalizando capital e esforços para os setores potencialmente mais lucrativos.

Superluxo

Os produtos classificados como superluxo, ou luxo inacessível, são considerados top de linha, extremamente caros, prestigiosos, que apresentam elevado grau de perfeição e características sensíveis de excelência. A fabricação é realizada artesanalmente, possuindo normas rígidas de produção e uma distribuição estritamente seletiva. “Os produtos enquadrados nessa esfera são mais difíceis de serem copiados, sendo acessíveis a poucos consumidores”, observa a especialista em luxo. Segundo ela, estes produtos podem ser exemplificados inclusive pelo altpo valor de sua aquisição. “Eles são as obras de arte, palácios, alta joalheria, alta-costura, iates e aviões particulares”, explica a especialista.

Luxo intermediário 

Já os pertencentes ao grupo de luxo intermediário são produtos mais acessíveis em relação aos artigos de superluxo, pois, conservam características de distinção, sofisticação e prestígio em comparação aos produtos de consumo corrente. “Encontram-se disponíveis a uma maior parcela de consumidores, que busca, nesses artigos, símbolos que representem seu elevado poder aquisitivo”, aponta Carolina. São exemplos desse segmento as coleções prêt-à-porter, bolsas, sapatos, gravatas, lenços e carteiras.

Luxo acessível

O segmento de luxo acessível é constituído por produtos com mais disponibilidade e conhecimento por parte do consumidor e apresentam mais divulgação em relação aos pertencentes aos outros níveis de luxo. Em função de uma ampla distribuição, muitas vezes, coabitam no ponto de venda com produtos de massa. “Por essas razões, portanto, mais fáceis de serem adquiridos”, salienta a especialista. Esse segmento é composto por perfumes, cosméticos, gastronomia, vinhos e destilados. 

O mercado de luxo compreende vários segmentos

Em 2014, a moda (alta-costura e prêt-à-porter) representou 25% de todo esse mercado. O consumo de moda masculina aumenta vertiginosamente, muito em função da abertura de novas lojas em pontos estratégicos, como, por exemplo, em Hong Kong. O setor de acessórios, óculos, cintos, bolsas, representa 28% de todo o mercado de luxo. Os calçados representam um quinto das vendas desse segmento, apresentando aumentos consecutivos.

A esfera da perfumaria, incluindo cosméticos, disponibiliza produtos caracterizados como “aperitivos”, pois permitem a entrada no segmento do luxo, representando 20% de participação. Mais do que perfumes, a venda de cremes que previnem o envelhecimento foi a mais alta deste segmento, corroborando com o ideal da eterna juventude propagado na contemporaneidade. “O setor de joalheria, hard luxury (luxo insensível), representa 23% do mercado do luxo no mundo, sendo que esse segmento também teve vendas impulsionadas pelo público masculino, em função, principalmente, do consumo de relógios”, conclui Carolina Boari.

 Mercado de Luxo