Mercado de Arte

O nosso Abstracionista

08 de Agosto de 2017 . Por Eduardo Oliveira

"O nosso Abstracionista"

 

 

Antônio Bandeira 

O artista, pintor, desenhista e gravador cearense Antônio Bandeira trilhou um caminho único na arte brasileira. Com aversão ao academicismo, abandonou a arte figurativa de seus anos iniciais e tornou-se pioneiro do abstracionismo do país. A partir de 10 de agosto, o Espaço Cultural Unifor, localizado no campus da Universidade de Fortaleza, apresenta um pouco da trajetória deste artista ímpar na exposição Antônio Bandeira: um abstracionista amigo da vida. Com a realização da Fundação Edson Queiroz e organização da Base7 Projetos Culturais, a mostra tem curadoria de Regina Teixeira de Barros e Giancarlo Hannud.

A exposição reúne um conjunto de 91 obras que abarca diferentes momentos de sua produção artística, das primeiras pinturas figurativas, de caráter social, às grandes telas com densas tramas, tão comuns em seus últimos anos. "Os delicados guaches e aquarelas, nos quais a sutileza e a poesia imperam, pontuam a trajetória do artista e se contrapõem, na década de 1960, aos trabalhos mais experimentais, realizados com materiais não tradicionais como miçangas, fitas adesivas e tinta automotiva", aponta Regina. “Bandeira permaneceu sempre à margem de escolas e estilos, jamais emprestando seu nome às declarações de fé estética tão em voga naquele momento”, completa Giancarlo, que também coordenou todo o levantamento de obras do artista e a pesquisa para o catálogo raisonné parcial.



“Seguindo sua missão de apoiar e difundir a produção de artistas cearenses, a Fundação Edson Queiroz realiza uma exposição inédita de Antônio Bandeira, que reúne alguns de seus trabalhos mais importantes. Um marco da mostra será o lançamento do catálogo raisonné de Bandeira, patrocinado pela Fundação Edson Queiroz, a ser lançado no Espaço Cultural Unifor. Ao apresentar exposições e ao mesmo tempo apoiar publicações da relevância de um catálogo raisonné, a exemplo do que realizou com Leonilson no primeiro semestre deste ano, a Universidade de Fortaleza, mantida pela Fundação Edson Queiroz, cumpre seu papel de aliar arte e educação como forma de promover o conhecimento, alcançando não só sua comunidade acadêmica, mas toda a sociedade”, afirma o vice-reitor de extensão da Unifor, prof. Randal Pompeu.

Definido por seus pares como um artista sério, lacônico e metódico, Bandeira deixou como legado uma produção surpreendente pela qualidade e sensibilidade de suas obras. Parte das obras apresentadas nesta exposição é pouco conhecida do público e até mesmo pelo circuito da arte, pois muitas foram localizadas graças às pesquisas para o catálogo raisonné parcial do artista.

 

 

O artista é expoente de uma vertente abstrata que privilegia a gestualidade e a expressão da experiência poética. Em seus trabalhos, traços, cores, tramas, manchas e respingos, todos aparentemente abstratos, na verdade estampam o mundo interior que o artista abrigava dentro de si. Por meio deles, Bandeira sugere a seu espectador uma infinidade de lembranças e emoções. Não por acaso, os títulos de suas obras evocam paisagens urbanas e cenas do cotidiano, abrindo caminho para interpretação lírica dessas composições.

Nas palavras do próprio artista, seus traços retratam “paisagens, marinhas, árvores, portos marítimos, cidades, enfim, apontamentos de viagem. Parto do realismo e, depois, vou aparando a ramaria até chegar ao ponto que minha sensibilidade exige. A natureza foi e será, sempre, o meu celeiro”, dizia. Esse compromisso alegre com a vida pautou sua aproximação e assimilação da linguagem internacional da arte abstrata.

 

O artista

 
Antonio Bandeira nasceu em Fortaleza, em 1922. Iniciou-se na pintura com a professora Mundica, bastante conhecida na cidade de Fortaleza, cujo método de ensino era a cópia. Em 1941, participou da criação do Centro Cultural de Belas Artes, entidade que nos anos seguintes deu origem à Sociedade Cearense de Artes Plásticas.
Em 1945, mudou-se para o Rio de Janeiro, cidade que recebeu sua primeira exposição individual. Contemplado pelo governo francês com bolsa de estudos, mudou-se para Paris em 1946, onde frequentou a École Nationale Supérieure des Beaux-Arts e a Académie de la Grande Chaumière.

Em Paris, o jovem artista entrou em contato com o abstracionismo lírico. A partir dessa aproximação, a gestualidade, já reconhecida nas suas primeiras figurações expressionistas, ganhou destaque ainda maior quando ele passou a se dedicar à abstração.

Bandeira participou das duas primeiras edições da Bienal de São Paulo, em 1951, ano que retornou ao Brasil, e em 1953. A segunda edição lhe rendeu um Prêmio Fiat, motivo que o levou novamente à Europa em 1954. Lá, permaneceu até 1959, passando pela Itália e Inglaterra.

Ao retornar ao Brasil, dedicou-se a uma atividade artística intensa, participando de importantes exposições, no Brasil e no exterior. Bandeira voltou a Paris em 1965, onde permaneceu até sua morte, dois anos depois.

 

 

 

Eduardo Oliveira

Critico de arte

arteduoliveira@hotmail.com

O cearense descobre o mercado de arte

31 de Julho de 2017 . Por Eduardo Oliveira

 

  “O cearense descobre o mercado de arte”

 

O Ceará está se tornando um dos estados com maior número de colecionadores do país. Essa prática está sendo realizada em sua maioria, por pessoas relativamente jovens que procuram uma forma de associar um investimento econômico ao desenvolvimento intelectual.

   

      Raimundo Cela, rendeira, óleo sobre madeira, 1931.

 

 

   

     Raimundo Cela, menino pescador, óleo sobre madeira, 1941.

 

   Raimundo Cela, cabeça de homem, óleo sobre madeira, 1931.

 

Apesar do grande número de colecionadores no Estado do Ceará, a procura tem se voltado essencialmente para obras de arte de artistas de outros estados e mesmo de outros países e muito pouco para a produção cearense. Isso se deve a vários fatores, mas um dos mais importantes é que uma boa parte de artistas cearenses produzem suas obras orientados pelo mercado de decoração, proposta que era seguida no período medieval.

 O diálogo entre o artista, a obra e o expectador é fundamental no reconhecimento como arte, se o produtor está simplesmente “antenado” a decoração, esse diálogo não existirá. O colecionador compra arte quando a mesma é reconhecida, ou seja, tenha recebido avaliação crítica e esteja inserida em importantes galerias. A obra de arte deve dialogar com a decoração e não submeter-se a ela.

 

    Antônio Bandeira, óleo sobre tela, 1965.


   Antônio Bandeira, óleo sobre tela, 1954.

 

   Antônio Bandeira, óleo sobre tela, 1961.

 

As obras dos principais artistas cearenses, são indicadas para quem está começando montar seu primeiro acervo, para investimentos em pequeno e longo prazo, são sugeridas as obras dos pintores, Antônio Bandeira, Aldemir Martins, Raimundo Cela, Sérvulo Esmeraldo, Vicente Leite, todos com reconhecimento nacional e os que ainda são somente reconhecidos no Ceará como Barrica, Afonso Lopes, Estrigas, Mario Barata, dentre outros. 

 


    Aldemir Martins, cangaceiro, acrilica sobre tela, 1988.

 

  Aldemir Martins, violeiro, acrilica sobre tela, 1987

 

O investimento em obras de arte é uma tarefa complexa que exige conhecimentos técnicos e experiência. Uma pesquisa detalhada da obra do seu autor é necessária para avaliação inicial. Dessa forma, dados como a biografia do artista, incluindo sua formação, títulos e premiações, assim como um mapeamento das galerias onde suas obras se inserem são passos fundamentais que o colecionador deve seguir para realizar um investimento seguro.

   

Eduardo Oliveira

 Crítico de arte